16.8.16

Conto: Campo

Os calos nos dedos da mão, os pés rachados, a pele bronzeada pelos constantes raios de Sol. Tudo isso era indício de anos trabalhando no campo.

Imensas lavouras para cuidar, muitas plantações perdidas – muitas lucradas também. Agora, finalmente teria a oportunidade de estudar. Depois de anos precisando abrir mão de pequenos luxos, ele realizaria um sonho.

A vida no campo tinha sus vantagens, mas isso não é sinônimo de que era fácil. O Sol começava a nascer e ele já estava de pé, acendia o fogo do fogão à lenha, preparava o café. Arrumava um sanduíche para beliscar no meio da manhã e partia em direção as lavouras. Limpava, plantava, colhia – tudo sozinho. Ou melhor, na companhia de seu cachorro, que estava junto dele todos os dias. Ao meio dia retornava para casa, almoçava, descansava por meia hora. E em seguida retornava ao trabalho. Quando o Sol se preparava para descansar, organizava seus pertences e voltava para seu caloroso lar.

Ele sempre sonhara com a oportunidade de fazer algo pelo campo, em estudar, poder contribuir para melhorar a vida das pessoas. Após anos tentando ingressar na faculdade, finalmente ele havia conseguido e podia agora iniciar a realização de um sonho.

Quem o olhava nem fazia ideia de tudo que ele já havia vivido.

Entrou na sala de aula, era o primeiro dia da turma de Engenharia Agrônoma. A sala tinha cerca de cinquenta alunos. Ele vestia sua melhor roupa.

Sentou na primeira carteira da fila do meio. Seus olhos brilhavam de orgulho: sim, ele conseguira.








Hoje compartilho com vocês mais um conto que escrevi há alguns dias.
Espero que tenham gostado, beijos.

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